Hoje me peguei a pensar, filho: se eu fosse lhe fazer uma festa pela chegada dos seus 12 anos, que cara, que jeito ela teria? Lembrei-me das idas e vindas às casas de decoração nos seus primeiros anos de vida. Haja super-herói pra animar tantos aniversários! Estiveram por aqui o Homem Aranha, o Batman, os Powers Rangers, a turma do Sítio do Picapau Amarelo, o Mickey Mouse… Muitos bolos, abraço apertado de gente que te ama, velas sopradas, pedidos feitos e esperados.
Você cresceu, filho! E hoje, quando você chega aos 12 anos – que é quando eu chego num lugar bem diferente, também, acredite! – não tem balão nem super-herói. Então, me ajuda a pensar o que tem a sua “festa de aniversário”?
- Tem livros, livros, livros e mais livros em sua cabeceira e um garoto que lê até os olhos ficarem bêbados de sono;
- Tem um menino que não para até zerar, virar o jogo;
- Tem uma voz empostada a conversar “coisa séria” comigo;
- Tem um devorador de novidades que começa e termina o dia dizendo pra mim: “você sabia que…”;
- Tem um garoto que agora vê filme legendado e quer conversar em inglês;
- Tem um garoto que quer morar na Inglaterra;
- Tem um menino que dá trabalho pra ir pra escola, mas que se interessa por história antiga. Uma viagem para a Grécia seria o presente perfeito nos seus 12 anos;
- Tem um rapaz de cabelos longos, bonitos, mas que precisa se convencer disso;
- Tem alguém que às vezes carrega uma tristeza insondável;
- Mas tem também alguém que faz rir sugerindo um talento sequer pensado – você nasceu em uma família de gente “tristonha”;
- Tem um menino de 12 anos que me aparece com nomes de bandas de rock que eu não conheço. Eu gosto que você goste de boa música;
- Tem um branquelo que fica lindão de camiseta preta.
Filho, nos seus 12 anos queria te dar sorrisos infinitos. E queria que eles tivessem o sabor da sua pizza preferida, os poderes do livro mais encantador, a magia do brinquedo inesquecível…
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E como, em 12 anos, ele se manteve tão parecido com você…