Obras publicadas

Caminhos da Reportagem

Como é feita uma grande reportagem? E o que transforma uma reportagem, independentemente do tamanho, do tempo e do investimento feito, num grande material jornalístico? As respostas estão no livro pioneiro no Centro-Oeste brasileiro, que discute o jornalismo de uma forma como ainda não foi feita numa região que tem, ao contrário do que se pensa, uma intensa produção jornalística. Caminhos da Reportagem – O jornalismo e seus bastidores é uma obra escrita a seis mãos por mim e os jornalistas Rogério Borges e Vinicius Jorge Sassine. No livro, contamos o que está por trás da grande reportagem, o elemento e gênero mais importante e vivo do jornalismo.

Em 2009, quando o livro foi pensado e publicado, eu, Rogério e Vinicius atuávamos em áreas de cobertura distintas do jornal O Popular, em Goiânia, e nos unimos para produzir um livro que alia algumas de nossas melhores reportagens. Mas fizemos mais. Cada uma das reportagens publicadas no livro é acompanhada por um texto de bastidores, que descreve os caminhos percorridos por nós, jornalistas autores, para produção das matérias.

Caminhos da Reportagem, obra financiada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, traz 15 histórias publicadas originalmente nas páginas do jornal O Popular e que, a partir desse projeto pioneiro, ganhou um tratamento especial: nos textos de making off, o leitor saberá como o jornalista chegou a tantas linhas escritas. Cada um dos bastidores explica os (árduos) caminhos percorridos até a publicação final de um texto jornalístico.

Lançado pelas editoras Cânone e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Caminhos da Reportagem reforça a ainda incipiente produção científica e acadêmica sobre o jornalismo, por uma ótica específica: a da prática e da vivência cotidiana do fazer jornalístico. O livro consegue satisfazer as dúvidas de estudantes e leitores sobre a produção de uma reportagem e apresentar para os profissionais de imprensa os bastidores de um trabalho em que só se conhecem os resultados.

Integram a obra tanto a história de um boi dado como prêmio numa pelada de futebol de várzea quanto a saga de um homem – invisível – em busca de socorro médico para o braço quebrado. Não à toa a primeira história começa e a segunda encerra o livro. No caminho da reportagem estão investigações de fôlego da exploração sexual de crianças em Goiás e das execuções sistemáticas de adolescentes por policiais militares na Grande Goiânia. O jornalismo investigativo também permitiu entender como funcionou por muito tempo o mercado imobiliário na maior invasão urbana já vista no Centro-Oeste e como um menino de 8 anos de idade conseguiu ser aprovado no vestibular.

Caminhos da Reportagem traz estilos e linguagens diversos. O jornalismo literário se manifesta, por exemplo, nas histórias às margens da BR-060, de trabalhadores que ganham seu sustento na rodovia que liga Goiânia a Brasília; na reconstrução dos caminhos de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa; nas impressões nordestinas de Ariano Suassuna; nas histórias construídas antes do fatídico voo 1907, da Gol.

Numa das reportagens assinadas por mim, está o cotidiano de uma grande cidade a partir de revelações da guerra no trânsito. Há também matérias que tratam dos efeitos ainda sentidos, mais de 20 anos depois, por vítimas do maior acidente radiológico do planeta. Para desnudar tantas realidades, os jornalistas têm uma poderosa ferramenta nas mãos: a reportagem. É esta a linha condutora de Caminhos da Reportagem.

Sobre os autores:

Deire Assis é jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo diário em Goiânia desde 1996. No jornal O Popular está desde 2001, como repórter da Editoria de Cidades. Suas reportagens foram premiadas em concursos nacionais, em especial as que tratam de problemáticas ligadas ao trânsito. Por quatro vezes, foi vencedora nacional do Prêmio Denatran de Educação para o Trânsito e, em 2008, venceu na categoria Regional Centro-Oeste o Prêmio Imprensa Embratel. Em 2011, ao lado de colegas do Popular, venceu o 1º Prêmio Detran-GO de Jornalismo.

Rogério Borges é graduado em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Na mesma instituição, fez especialização em assessoria de comunicação e mestrado em estudos literários e linguística. É doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília (Unb-2011). Foi professor de jornalismo das faculdades Sul-Americana (Fasam) e Araguaia e, atualmente, é docente na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). O jornalista trabalha em O Popular desde 2002 e é responsável pela cobertura de literatura.

Vinicius Jorge Sassine é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e em Economia pela Pontifícia Universidade Católica  de Goiás (PUC-GO). Atuou por vários anos como repórter de Cidades do jornal O Popular, passou pela redação do jornal Correio Braziliense e hoje atua no jornal O Globo. Seu trabalho é voltado a  reportagens investigativas e ambientais e, a partir de 2006, venceu vários prêmios regionais e nacionais de  Jornalismo, dentre eles o Prêmio Imprensa Embratel na categoria Centro-Oeste, o Prêmio AMB de Jornalismo, o Prêmio Inca de Jornalismo e menção honrosa do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. Em 2011, venceu uma das categorias do Prêmio Esso de Jornalismo.

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livro senai 60-anos

SENAI Goiás 60 anos

Em 2012 foi lançado outro projeto jornalístico muito interessante em formato livro, a obra SENAI Goiás 60 anos: Da Carpintaria à Automação Industrial, que assinei em co-autoria com o colega jornalista Dheovan Lima. Recebi o convite do diretor-regional do SENAI, Paulo Vargas, para aquela empreitada. Ao final de cerca de dois anos de apuração, o livro foi lançado contando com a contribuição importante de tanta gente que vive e constrói o SENAI Goiás. A partir do relato de professores, ex-colaboradores, alunos e ex-alunos, diretores e ex-presidentes, reconstruímos parte dessa trajetória, coroada por aquilo de mais valioso: a oferta de condições dignas de trabalho a quem passe por ali. Senti-me imensamente honrada pelo convite do SENAI para este trabalho.

Leia reportagem publicada pelo jornal O Popular, à época, sobre o lançamento da obra.

Literatura

Uma história feita de gente

(Rogério Borges)

Será lançado hoje, na Casa da Indústria, Vila Nova, o livro Da Carpintaria à Automação Industrial, dos jornalistas Deire Assis e Dehovan Lima. A obra faz um apanhado dos 60 anos de história do Serviço Nacional da Indústria (Senai) em Goiás, de seu princípio modesto em Anápolis a sua disseminação por todo o Estado, contribuindo, e muito, para o crescimento e a sofisticação da economia goiana. Mas não pensem que se trata de mais uma trabalho estilo relatório, cheio de dados que, descontextualizados, pouco significam. “Fizemos um livro cheio de gente, com as pessoas que ajudaram a construir essa história”, enfatiza Deire Assis, que é repórter e colunista do POPULAR.

Com essa proposta, a obra abriu espaço para os aprendizes, de ontem e de hoje, que se formaram nos cursos profissionalizantes e de qualificação que o Senai ofereceu ao longo dessas seis décadas. “Nós fomos atrás de integrantes das primeiras turmas formadas em Anápolis para que eles contassem suas lembranças. Encontramos até fotografias pessoais dos ex-alunos, que registraram suas passagens pelo Senai, registros que o próprio Senai não sabia que existiam”, relata a jornalista. “O difícil foi ‘mostrar’ essas pessoas, principalmente os primeiros alunos, dirigentes da época, personalidades e eventos. O acervo fotográfico era precário, mal identificado”, conta Dehovan Lima.

Ainda assim, o mergulho no arquivo e na memória do Senai trouxe surpresas. “Por incrível que pareça, mesmo para mim, que estou na instituição há quase três décadas, havia muita coisa nova, que a reportagem da Deire levantou. Muitas histórias bacanas que, às vezes, a gente trata superficialmente”, afirma Dehovan, funcionário do Senai. “O que me chamou atenção foi como o Senai está presente na vida dessas pessoas, de ontem e de hoje. Como existe amor, uma verdadeira paixão delas pela instituição, um grande carinho delas pela formação que receberam no Senai. Há uma identificação muito grande entre os alunos, os colaboradores, os instrutores”, destaca Deire.

O livro contém também vários depoimentos de pessoas com posições importantes que passaram pelos bancos e oficinas do Senai. Todos eles louvam a formação que receberam e reconhecem como ela foi importante para suas vidas profissionais. “Acredito que o Senai, talvez de todo o Brasil, ainda não tivesse produzido um registro histórico da instituição com tamanha profundidade quanto é este livro. Há nele muitas histórias de vida que mereciam e ainda não haviam sido contadas”, comemora Deire. “O atual diretor regional do Senai, Paulo Vargas, queria, desde o princípio, uma obra literária, um registro diferente em que a história pudesse ser contada além dos números. Foi isso que fizemos”, resume Dehovan. (Fonte: jornal O Popular – 07/12/2012)

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